Por Paulo Pinho, CEO da Triibo
Depois de mais de 40 anos como executivo e empreendedor, continuo encontrando perguntas que não possuem respostas tão simples quanto parecem.
Uma ferramenta impressionante realmente resolve um problema de negócio?
Uma campanha que aumentou as vendas foi responsável pelo crescimento?
Uma equipe formada por bons profissionais consegue, necessariamente, trabalhar bem em conjunto?
Essas perguntas fazem parte da rotina de quem precisa tomar decisões. Por isso, decidi abrir esta conversa.
Quero compartilhar experiências que possam ajudar outras pessoas a tomar decisões melhores e, ao mesmo tempo, aprender com as experiências que elas trouxerem.
A ideia não é apresentar respostas definitivas. Afinal, quem está à frente de um negócio sabe que muitas decisões precisam ser tomadas quando as informações ainda estão incompletas e o resultado está longe de ser garantido.
É dessa realidade que pretendo falar.
O que você encontrará nesta conversa?
Vou compartilhar experiências sobre tecnologia, inteligência artificial, liderança e construção de empresas. Também quero falar sobre vendas, canais, relacionamento com clientes e comunidades.
Esses assuntos parecem diferentes, mas se encontram constantemente no cotidiano de qualquer negócio.
Desenvolver um produto exige entender o mercado. Conquistar clientes exige construir confiança. Formar uma equipe exige mais do que reunir pessoas competentes. Crescer exige transformar ideias em uma operação capaz de entregar aquilo que promete.
Por isso, quero discutir não apenas as decisões tomadas, mas também o que acontece depois delas.
Quais dificuldades aparecem?
O que acontece quando a realidade contraria o planejamento?
Quais hipóteses estavam erradas?
E, principalmente, o que podemos aprender com isso?
Alguns artigos partirão de experiências recentes. Outros recuperarão situações de décadas atrás que continuam relevantes. Também haverá avaliações de ferramentas que utilizo, questionamentos de práticas consagradas e reflexões sobre o que estamos tentando construir.
Não faltarão opiniões.
Porém, quero explicar de onde elas vêm e o que poderia me fazer reconsiderá-las.
Por que compartilhar essas experiências agora?
Passei os últimos vinte anos mais ocupado construindo empresas do que participando da conversa pública.
Nesse período, continuei desenvolvendo soluções, formando equipes e enfrentando os problemas que aparecem quando uma ideia precisa funcionar na prática.
Agora, decidi compartilhar mais desse percurso porque vejo valor em aproximar experiências de diferentes gerações.
Alguns problemas reaparecem com ferramentas novas.
Outros desaparecem porque o mercado mudou.
Também existem situações em que soluções que funcionaram no passado deixam de fazer sentido diante de novas tecnologias e comportamentos.
Reconhecer essas diferenças exige atenção ao presente, mas também alguma memória do que já vivemos.
É nesse encontro entre experiência e mudança que quero construir esta conversa.
O que a inteligência artificial mudou na minha rotina?
A inteligência artificial foi um dos principais estímulos para eu tomar essa decisão.
Ela mudou profundamente minha rotina.
Hoje, consigo pesquisar, analisar, escrever e desenvolver em uma escala que antes não cabia na minha agenda.
Depois de anos sem programar, voltei a “programar” todos os dias.
Isso abriu possibilidades que considero extraordinárias.
Ao mesmo tempo, também trouxe novos motivos para questionar aquilo que estamos fazendo.
Uma aplicação desenvolvida com IA pode impressionar durante uma demonstração e apresentar fragilidades quando chega à operação.
Uma análise pode parecer convincente e partir de uma premissa equivocada.
Uma resposta pode ser rápida, mas não necessariamente correta.
Por isso, quanto maior a velocidade de execução, maior também se torna o valor de saber exatamente o que queremos construir.
A experiência ajuda a orientar esse trabalho.
Porém, a própria tecnologia também precisa atualizar nossa experiência.
Por que questionar faz parte da proposta?
Nos artigos que já escrevi, algumas posições ficaram claras.
Para mim, fidelizar significa conquistar a preferência de uma pessoa. Essa preferência não nasce de uma única ação, mas do conjunto de experiências que ela tem com uma marca.
No relacionamento com vendedores e canais, acredito que apoio, confiança e reconhecimento precisam fazer parte de uma estratégia contínua.
Campanhas e recompensas podem contribuir.
Entretanto, elas não explicam sozinhas a qualidade de uma relação.
Também vejo nas comunidades uma oportunidade de entender interesses comuns, estimular participação e criar relações mais relevantes.
Da mesma forma, vejo na inteligência artificial uma capacidade extraordinária de ampliar aquilo que pessoas e empresas conseguem realizar.
Ainda assim, acredito que todas essas iniciativas precisam ser questionadas.
Inclusive quando os números parecem favorecer meu próprio negócio.
Os números sempre contam toda a história?
Nem sempre.
Uma diferença de retenção, por exemplo, merece atenção.
Porém, atribuir toda essa diferença a um determinado programa exige evidências adicionais.
Uma campanha sem crescimento de vendas pode ter evitado uma queda.
Um concorrente aparentemente bem-sucedido pode estar operando em condições que desconhecemos.
Um indicador positivo pode esconder uma variável que não foi considerada.
Por isso, quero trazer esse tipo de pergunta para o canal.
Não para impedir decisões.
Pelo contrário: para torná-las mais conscientes.
Dados são fundamentais para uma boa decisão. Entretanto, dados sem contexto também podem levar a conclusões equivocadas.
Acredito que a experiência executiva tem um papel importante justamente nesse ponto: ajudar a formular as perguntas que devem ser feitas antes de transformar um número em uma conclusão.
O que empreender me ensinou sobre decisões?
Empreender me ensinou que uma boa ideia é apenas o começo.
Depois dela, é preciso encontrar clientes dispostos a pagar, reunir pessoas capazes de entregar, financiar a operação e ajustar o caminho quando o mercado responde de uma maneira diferente da esperada.
Algumas decisões demoram para produzir resultado.
Outras precisam ser abandonadas.
Também existem escolhas em que nenhuma alternativa parece perfeita.
Nesses momentos, experiência ajuda, mas não elimina a incerteza.
Por isso, pretendo falar também sobre aquilo que não funcionou: expectativas que não se confirmaram, erros que exigiram mudanças e escolhas difíceis entre alternativas imperfeitas.
Acredito que essas histórias podem ser tão úteis quanto aquelas que terminaram em sucesso.
O que a Triibo e a Synoro têm a ver com essa conversa?
As experiências da Triibo e do Grupo Synoro estarão presentes porque fazem parte do meu trabalho atual.
Essas empresas representam uma parte importante das questões que pretendo discutir: tecnologia, estratégia, relacionamento, dados, serviços e construção de negócios.
Entretanto, quero separar aquilo que foi efetivamente observado daquilo que ainda estamos testando.
Essa distinção é importante.
Quando apresentarmos um resultado, quero deixar claro que se trata de um resultado observado.
Quando apresentar uma interpretação, quero tratá-la como interpretação.
E quando estivermos diante de uma hipótese, ela será apresentada como hipótese.
Esse cuidado é especialmente importante em um ambiente no qual novas tecnologias tornam possível produzir análises e testar ideias em uma velocidade cada vez maior.
Experiência significa ter todas as respostas?
Não.
Ter experiência não significa possuir todas as respostas.
Significa ter mais situações para comparar e, espero, mais cuidado antes de chegar a uma conclusão.
É justamente por isso que quero manter esta conversa aberta.
Uma experiência de décadas atrás pode ajudar a interpretar um problema atual.
Por outro lado, uma tecnologia nova pode mostrar que uma antiga forma de pensar já não é suficiente.
Essa troca é importante.
Quero aprender com o que construí, mas também com aquilo que ainda estou construindo.
O que espero construir com este canal?
Espero que este espaço seja útil para quem precisa fazer as coisas acontecerem.
Para quem tem clientes para conquistar, equipes para liderar, produtos para desenvolver e um orçamento que exige escolhas.
Para quem precisa decidir mesmo quando as informações estão incompletas.
Mais do que isso, espero que uma reflexão publicada aqui possa ajudar alguém a fazer uma pergunta melhor, perceber um risco, experimentar uma possibilidade ou rever uma decisão.
E a conversa será ainda melhor se essa pessoa trouxer sua própria experiência.
Esse é o motivo principal para abrir este canal.
Continuo construindo, experimentando e mudando de opinião.
Agora, quero compartilhar mais desse processo.
Paulo Pinho
Quem é Paulo Pinho?
Com mais de 40 anos de experiência no setor de tecnologia, Paulo Pinho é engenheiro elétrico formado pela UFRJ, pós-graduado em Análise de Sistemas pela PUC-Rio e possui MBA pela Fundação Dom Cabral.
Ao longo de sua carreira, ocupou posições de liderança em empresas como Monydata, NCR e Teradata, onde chegou a comandar a operação brasileira por 8 anos.
Com uma trajetória que combina experiência executiva e empreendedorismo, atualmente está à frente da Synoro e da Triibo, empresas que integram tecnologia, estratégia e serviços em suas soluções de negócio.


