Por Paulo Pinho, CEO da Triibo
Minha preferência hoje é pela OpenAI. Uso as duas, mantenho projetos nas duas e posso mudar de opinião. Mas, neste momento, trabalho melhor com as ferramentas da OpenAI e encontro nelas um equilíbrio mais interessante entre colaboração, autonomia e custo.
Para chegar a essa conclusão, não procurei descobrir qual modelo ganha um campeonato de inteligência. Minha comparação vem do uso cotidiano: como essas ferramentas entram no meu trabalho, como interagem comigo e quanto custa usá-las com intensidade.
Hoje, a IA é meu principal instrumento de trabalho. Converso, faço reflexões, planejo, analiso tendências e pesquiso mercados. Além disso, crio propostas, documentos, apresentações e aplicações. Praticamente tudo o que faço envolve alguma interação com essas ferramentas.
Nesse contexto, a forma de trabalhar junto pesa muito na minha escolha.
Os modelos estão ficando cada vez mais poderosos. Na maioria das minhas atividades, percebo capacidades suficientemente próximas para que a experiência de uso faça a diferença.
No ChatGPT, encontro uma conversa mais fluida. Consigo explorar uma ideia, discordar e mudar a direção com facilidade. Ao mesmo tempo, há um defeito que me incomoda: a tendência a concordar demais e, às vezes, puxar o saco. Costumo contornar isso pedindo franqueza e uma avaliação mais crítica das minhas ideias.
No Claude, frequentemente encontro respostas mais longas e cautelosas. Essa postura, embora possa ser útil em determinadas situações, muitas vezes torna meu trabalho mais lento. Preciso de uma ferramenta que também se posicione, questione e me ajude a decidir.
Como a diferença aparece na execução das tarefas?
Na execução de tarefas, essa diferença fica ainda mais clara.
O Claude me passa a sensação de dizer:
“Explique o que você quer e eu entrego o melhor produto possível”.
O Codex me passa outra:
“O que vamos fazer juntos hoje?”.
Fazendo uma analogia, o primeiro é aquele profissional que recebe uma tarefa e volta quando tudo está pronto. Já o segundo entende o objetivo, começa o trabalho, traz questões para discutir e permite que você participe das decisões durante o caminho.
Prefiro a segunda abordagem, seja trabalhando com pessoas ou com máquinas. Muitas vezes, só descubro exatamente o que quero quando o trabalho começa a tomar forma. Por isso, poder interferir nesse processo melhora o resultado.
Com uma agenda apertada, concentro aproximadamente 80% do meu trabalho pessoal no Codex.
Ainda assim, mantenho alguns projetos no Claude para continuar acompanhando sua evolução e evitar que minha preferência se transforme em uma crença rígida.
O custo também pesa na escolha
O custo também pesa.
Na nossa operação, temos contas empresariais nas duas plataformas, com diferentes níveis de assinatura e orçamento para créditos adicionais. São menos de dez contas no Claude e mais de vinte no ChatGPT.
Mesmo com essa diferença, os gastos com as contas das duas plataformas ficam praticamente no mesmo patamar.
É importante destacar, porém, que essa é a experiência da nossa equipe, com combinações diferentes de planos e intensidade de uso. Não permite afirmar que uma plataforma será sempre mais barata para qualquer empresa. Ainda assim, é relevante para nossa decisão.
No meu cotidiano, a percepção é semelhante.
Consigo trabalhar durante boa parte do dia com as ferramentas da OpenAI, com algumas interrupções por limites de utilização. No Claude, por outro lado, mesmo usando com menor intensidade, frequentemente preciso recorrer a créditos adicionais para concluir o trabalho.
Como as ferramentas de IA mudaram meu trabalho?
Separadamente, nosso uso de APIs está quase todo concentrado na OpenAI, em agentes de atendimento, curadoria e geração de conteúdo e algumas aplicações especializadas.
Mais importante do que essa comparação, porém, é o que essas ferramentas passaram a permitir.
Pesquisas e análises que antes eu abandonava por falta de tempo agora cabem em algumas horas. Na produção de documentos, consigo fazer o Codex escrever cada vez mais próximo do meu estilo. Nas apresentações, entretanto, ainda preciso interferir mais, mas percebo uma evolução constante.
E, depois de anos sem programar, voltei a “programar” todos os dias.
Nem sempre aceito as propostas da IA. Por isso, discordar, revisar e orientar continuam fazendo parte do trabalho.
Ainda assim, minha capacidade de produzir aumentou enormemente, tanto em velocidade quanto em qualidade.
O próximo passo pode ser a colaboração entre pessoas e agentes
Também vejo espaço para um próximo avanço: a colaboração entre várias pessoas e vários agentes.
No desenvolvimento de software, ferramentas como o GitHub organizam as contribuições e o controle de versões. Mas, boa parte da colaboração efetiva continua acontecendo em reuniões e discussões ao redor do código.
Gostaria de ver essa interação integrada em salas virtuais de desenvolvimento, com humanos e agentes trabalhando juntos continuamente. Nesse modelo, a capacidade da IA de analisar impactos e acompanhar decisões abre possibilidades muito interessantes.
Quero participar desse ambiente.
Além disso, considero a qualidade dessa colaboração um critério importante para escolher minhas ferramentas.
Estamos entrando em uma nova etapa da interação entre humanos e máquinas
Estamos acompanhando o nascimento de uma nova etapa na interação entre humanos e máquinas.
Arrisco dizer que, as mudanças dos primeiros trinta anos da internet vão parecer em câmera lenta diante do que veremos nos próximos dois anos.
Por isso, gastar semanas tentando escolher a ferramenta perfeita me parece pouco produtivo.
Para muitas atividades do usuário comum, qualquer uma das duas será uma boa escolha. Nesse sentido, o ganho está em começar, aprender a orientar e desenvolver senso crítico sobre o que recebe.
Como profissional de tecnologia, preciso acompanhar as alternativas. Da mesma forma, para quem deseja melhorar o próprio trabalho, minha recomendação é experimentar com tarefas reais e observar onde consegue avançar melhor.
Afinal, qual ferramenta eu escolheria hoje?
Se tivesse que dar uma receita hoje, escolheria a OpenAI pelo custo observado na nossa operação e pelo equilíbrio entre colaboração e autonomia.
Ao mesmo tempo, recorreria à Anthropic quando uma necessidade específica justificasse essa escolha.
Hoje, prefiro a OpenAI porque trabalho melhor com ela.
Amanhã, posso mudar.
O que não pretendo fazer, porém, é transformar uma ferramenta de trabalho em uma torcida.
Paulo Pinho
Quem é Paulo Pinho?
Com mais de 40 anos de experiência no setor de tecnologia, Paulo Pinho é engenheiro elétrico formado pela UFRJ, pós-graduado em Análise de Sistemas pela PUC-Rio e possui MBA pela Fundação Dom Cabral.
Ao longo de sua carreira, ocupou posições de liderança em empresas como Monydata, NCR e Teradata, onde chegou a comandar a operação brasileira por 8 anos.
Com uma trajetória que combina experiência executiva e empreendedorismo, atualmente está à frente da Synoro e da Triibo, empresas que integram tecnologia, estratégia e serviços em suas soluções de negócio.



